Imagem promocional de Central do Brasil, um dos filmes do cinema nacional

Curiosidades sobre o cinema nacional: 10 fatos que talvez você não conheça

O cinema nacional tem mais de 100 anos de história e já passou por fases que vão do humor escrachado ao drama mais político e reflexivo. Ao longo desse tempo, acumulou momentos icônicos, premiações internacionais e movimentos que mudaram a forma de contar histórias nas telas.

Muito além dos sucessos recentes, o audiovisual nacional carrega bastidores curiosos, viradas históricas e conquistas que colocaram o Brasil no mapa do cinema mundial. E sim, tem muita coisa interessante que nem todo mundo sabe.

A seguir, reunimos dez curiosidades sobre o cinema brasileiro que mostram como essa trajetória é cheia de reviravoltas, criatividade e impacto cultural.

10 curiosidades sobre o cinema nacional

1. O primeiro filme brasileiro foi perdido

Foto do cineasta Alfonso Segreto
Foto: reprodução/ Claudia/ Arquivo Nacional – Fundo Família Ferrez.

Vista da Baía de Guanabara (1898) é apontado como o início da produção audiovisual no país. O curta foi gravado por Alfonso Segreto (à direita na foto acima) no momento em que ele retornava da Europa com um cinematógrafo, trazendo a novidade tecnológica para o público brasileiro.

Com cerca de um minuto de duração, o registro mostrava uma panorâmica das fortalezas e navios de guerra na Baía de Guanabara. A filmagem aconteceu ainda a bordo do navio Brèsil, em um momento espontâneo que virou símbolo do nascimento do cinema nacional.

Apesar da relevância histórica, o filme nunca chegou a ser exibido publicamente e nenhuma cópia foi preservada. Mesmo cercado por debates entre pesquisadores, o curta permanece como um marco fundamental da origem do cinema brasileiro.

2. O cinema começou mudo

Foto do filme Os Estranguladores
Foto: Os Estranguladores (reprodução/ Lab Dicas de Jornalismo)

As primeiras produções brasileiras eram totalmente mudas e dependiam de músicos ao vivo para dar emoção às cenas. Pianistas e pequenas orquestras acompanhavam as sessões, criando clima e intensidade conforme a história se desenrolava na tela.

Um dos títulos mais antigos desse período é Os Estranguladores (1908), dirigido por Antônio Leal. Considerado um dos primeiros filmes de ficção do Brasil, o longa policial foi inspirado em um crime real que chocou o Rio de Janeiro na época.

O som sincronizado só passou a ser incorporado de forma definitiva na década de 1930. Essa mudança transformou a experiência nas salas e abriu caminho para uma nova fase do cinema nacional. 

3. O Brasil tem um Dia do Cinema 

O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado em 19 de junho e tem uma origem bem específica na nossa história. A data faz referência à filmagem de Vista da Baía de Guanabara (1898), que como vimos, é o nosso primeiro registro audiovisual. 

Mesmo que o filme nunca tenha sido exibido e esteja perdido, o 19 de junho virou um símbolo do nascimento do cinema nacional. É uma forma de celebrar o início de tudo e a força da produção brasileira.

4. Os maiores diretores do cinema nacional

Foto do diretor Glauber Rocha
Foto do diretor Glauber Rocha (reprodução/ Brasil de Fato).

O cinema brasileiro é construído por nomes que ajudaram a transformar a forma de contar histórias no país. De movimentos revolucionários como o Cinema Novo a sucessos de bilheteria que atravessaram fronteiras, esses diretores marcaram gerações.

Com estilos diferentes, propostas ousadas e filmes que viraram referência, eles colocaram o Brasil no mapa do audiovisual mundial. Alguns ganharam prêmios internacionais, outros conquistaram o público nas salas lotadas, mas todos deixaram legado.

Por isso, é difícil eleger quem são os maiores diretores do país, mas é possível destacar nomes como: 

  • Anselmo Duarte: diretor de O Pagador de Promessas (1962), filme que conquistou a Palma de Ouro em Cannes e se tornou um marco histórico;
  • Glauber Rocha: um dos principais nomes do Cinema Novo, responsável por clássicos como Terra em Transe (1967), símbolo do cinema político brasileiro;
  • Hector Babenco: levou o realismo nacional para o mundo com obras como Pixote (1980) e Carandiru (2003);
  • Walter Salles (na foto acima): diretor de Central do Brasil (1998) e do vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui (2024);
  • Fernando Meirelles: ganhou projeção global com Cidade de Deus (2002), um dos filmes brasileiros mais influentes das últimas décadas;
  • Kleber Mendonça Filho: diretor de Bacurau (2019) e O Agente Secreto (outro grande destaque do Brasil em premiações internacionais). 

5. A era das chanchadas

Jornal promovendo filme Carnaval de Fogo
Foto: reprodução/ IMDb.

As chanchadas foram comédias musicais populares que misturavam humor leve, samba, Carnaval e muita sátira. O termo surgiu nos anos 1930 para definir produções vistas como “simples” ou até caricatas, mas que conquistaram o público com seu estilo irreverente.

Entre as décadas de 1930 e 1960, o público lotava os cinemas para rir, cantar junto e se divertir com histórias simples e finais felizes. A produtora Atlântida Cinematográfica foi a grande responsável por transformar o gênero em fenômeno nacional.

Clássicos como Carnaval no Fogo (1949) e O Homem do Sputnik (1959) marcaram essa fase, com nomes como Oscarito e Grande Otelo brilhando nas telas. Foi um período essencial para consolidar o cinema comercial brasileiro. 

6. O impacto do Cinema Novo

Na década de 1960, o Cinema Novo surgiu como uma verdadeira virada de chave no audiovisual brasileiro. O movimento trouxe uma linguagem mais crítica, politizada e autoral, colocando na tela temas como fome, desigualdade social e injustiça.

Influenciado pelo Neorrealismo Italiano e pela Nouvelle Vague francesa, o movimento rompeu com as chanchadas e com o cinema inspirado em Hollywood. A proposta era simples e poderosa:mostrar o Brasil real, das favelas ao sertão, com poucos recursos e muita ideia na cabeça.

Um dos maiores nomes dessa fase foi Glauber Rocha, diretor de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), filmes que traduzem perfeitamente essa estética provocadora. 

Graças a obras como essas, o Cinema Novo conquistou reconhecimento internacional e passou a influenciar novas gerações de cineastas. 

7. O Brasil no Oscar

Foto diretor Walter Salles
Foto do Wallter Salles no Oscar (reprodução/ Rolling Stone/ Jeff Kravitz/FilmMagic)

O Brasil tem marcado presença no Oscar desde 1945, quando a canção Rio de Janeiro, de Ary Barroso, foi indicada a Melhor Canção Original. Desde então, nossas produções ganharam destaque internacional e abriram espaço para cineastas brasileiros. 

No total, o país soma mais de 30 indicações em 16 categorias diferentes.

Entre os destaques na categoria de Melhor Filme Internacional estão:

  • O Pagador de Promessas (1963) – primeira indicação do Brasil;
  • Central do Brasil (1999) – também rendeu a indicação de Fernanda Montenegro;
  • O Quatrilho (1996);
  • O Que É Isso, Companheiro? (1998);
  • Ainda Estou Aqui (2025) – primeira vitória do país na categoria;
  • O Agente Secreto (2026).

O cinema brasileiro também foi lembrado em outras categorias importantes, como em Melhor Diretor (Cidade de Deus, 2004 – Fernando Meirelles), Melhor Filme de Animação (O Menino e o Mundo, 2016) e Melhor Documentário (Democracia em Vertigem, 2020). 

Em 2026, produções como O Agente Secreto e Sonhos de Trem reforçam a presença do Brasil no Oscar.

8. As maiores bilheteria do cinema nacional 

Imagem promocional do filme Nada a Perder
Foto: Imagem promocional do filme Nada a Perder (reprodução/ Netflix).

Ao longo dos anos, filmes brasileiros de diferentes gêneros atraíram milhões de espectadores e bateram recordes. Entre os maiores sucessos, destacam-se:

  • Nada a Perder (2018) – 12,1 milhões de espectadores;
  • Minha Mãe é uma Peça 3 (2019) – 11,6 milhões de espectadores;
  • Os Dez Mandamentos (2016) – 11,2 de espectadores;
  • Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro (2010): 11,2 milhões de espectadores;
  • Dona Flor e seus Dois Maridos (1976): 10,8 milhões de espectadores.

Além desses, outras produções também brilharam nas salas de cinema. O mais recente é O Agente Secreto (2025).

9. Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro

Foto do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro
Foto: reprodução/ Academia Brasileira de Cinema.

O Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro é a maior honraria do audiovisual nacional. 

Criado pela Academia Brasileira de Cinema, reconhece os melhores filmes, profissionais e produções técnicas, celebrando o talento do cinema brasileiro. Atualmente, a cerimônia é transmitida pelo Canal Brasil.

Ao longo dos anos, a premiação contou com diferentes patrocinadores, mas desde 2010 mantém seu nome sem associação a empresas. Em 2023, foi renomeada em homenagem ao ator Grande Otelo, ícone do cinema nacional, e a 23.ª edição já ocorreu sob o novo título.

O prêmio se destaca pelo sistema de votação entre profissionais da indústria, promovendo reconhecimento mútuo. Com categorias que vão de longa-metragem a técnicas de produção, o Grande Otelo celebra a excelência e diversidade da produção nacional.

10. O avanço do streaming

Fechando essa lista, com o crescimento das plataformas digitais, o cinema brasileiro ganhou ainda mais alcance. Produções nacionais passaram a estrear para públicos globais e o streaming facilitou também o alcance das histórias dentro do próprio Brasil.

Alguns dos serviços que contam com filmes nacionais no catálogo são: Netflix, Globo Play e Prime Video.

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Foto destaque: divulgação/ Europa Filmes.

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