Autora do livro Mortes no Sobrado, Fátima Sá Paraíba retrata o sertão com sensibilidade, mistério e profundidade. Nas obras dela, a paisagem não é apenas cenário, mas parte viva da narrativa, carregada de memória e significado.
Nesta entrevista, a escritora fala sobre a importância da literatura regional, os desafios do mercado editorial brasileiro e as inspirações por trás de seu novo livro. Confira abaixo!
Na sua opinião, qual é a importância da literatura regional e de que forma as mulheres autoras contribuem positivamente para esse movimento?
Fátima Sá Paraíba: “A literatura regional é essencial porque preserva memórias, saberes e modos de vida que muitas vezes não aparecem nas narrativas centrais. Ela dá voz aos territórios, às paisagens e às pessoas que constroem a identidade de um povo.
No caso do sertão, não se trata apenas da seca ou da dureza, mas também da beleza, da resistência e das histórias que atravessam gerações.
As mulheres autoras ampliam esse movimento ao trazerem perspectivas mais íntimas, sensíveis e, muitas vezes, historicamente silenciadas. Elas escrevem sobre o cotidiano, sobre afetos, sobre ancestralidade e também sobre dores invisibilizadas.
Com isso, tornam a literatura regional mais diversa, humana e completa.”
O mercado literário no Brasil enfrenta muitos desafios. Você já precisou enfrentar algum deles ao longo da sua trajetória como escritora?
Fátima Sá Paraíba: “Sim, como muitos escritores brasileiros, enfrentei desafios relacionados à visibilidade, à publicação e à valorização da literatura regional. Muitas vezes, o mercado privilegia grandes centros e determinados estilos, o que dificulta a circulação de obras que nascem em contextos mais interioranos.
Além disso, existe o desafio de formar leitores e fazer com que as pessoas reconheçam o valor das próprias histórias. Persistir nesse caminho exige resistência, mas também amor pela escrita e compromisso com aquilo que se deseja contar.”
Seu novo livro, Mortes no Sobrado, traz um retrato do sertão da Paraíba. Quais foram as suas principais inspirações para a obra?

Fátima Sá Paraíba: “Mortes no Sobrado nasce da memória. Das histórias ouvidas, dos silêncios das casas antigas e das crenças populares, como a ideia de botijas, almas e segredos guardados entre paredes. O sertão da Paraíba não é apenas cenário, ele é personagem.
A paisagem, o tempo e as casas antigas carregam uma energia própria. Também me inspirei em relatos pessoais e na oralidade das pessoas mais velhas, que guardam um imaginário riquíssimo.
Há ainda uma tentativa de dar voz ao que ficou escondido, especialmente histórias que envolvem medo, mistério e memória.”
Para finalizar, que dicas você daria para quem deseja ler mais livros regionais, especialmente o público jovem?
Fátima Sá Paraíba: “A primeira dica é começar sem medo, escolhendo histórias que dialoguem com a sua realidade ou que despertem curiosidade. A literatura regional não é distante, muitas vezes ela fala daquilo que está ao nosso redor, mas que ainda não percebemos.
Outra dica é valorizar autores da própria região, buscar indicações em escolas, feiras literárias e projetos culturais. Ler autores locais é uma forma de se reconhecer e também de fortalecer a cultura.
E, principalmente, ler com abertura. Cada livro regional é uma porta para um universo único. Quando o jovem percebe que ali existem histórias tão intensas quanto qualquer outra, ele passa a ler não por obrigação, mas por prazer.”
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Foto destaque: divulgação/ Fátima Sá Paraíba.




