A literatura brasileira atravessa um momento bastante animado, e os prêmios literários de 2025 foram uma boa prova disso.
Entre o Jabuti, o Oceanos e o São Paulo de Literatura, uma safra de estreantes e nomes em ascensão chamou a atenção da crítica e do público ao mesmo tempo, provando que há muito talento novo brotando por aqui.
E o melhor é que esses autores chegam com vozes distintas entre si, de romances absurdistas e fábulas contemporâneas, memória e relações familiares que ficam na memória por muito tempo depois da última página.
Quer saber quem está movimentando o mercado editorial brasileiro neste ano? Confira cinco nomes para colocar na sua lista agora.
5 novos autores brasileiros que você precisa conhecer
1. Marcelo Henrique Silva

Nascido em Passos, interior de Minas Gerais, e radicado em Belo Horizonte, Marcelo Henrique Silva estreou na ficção com Sangue Neon, lançado pela Editora Faria e Silva em 2024, e venceu o Prêmio Jabuti 2025 na categoria Escritor Estreante em Romance, além do Prêmio Alta Literatura.
O romance se passa entre os anos 1970 e 1990 e acompanha uma travesti nordestina inspirada na figura real de Brenda Lee, que transforma a própria pensão em São Paulo no primeiro centro de acolhimento a pacientes com HIV do país.
Ao lado dela, comissários de bordo que contrabandeavam medicamentos proibidos e médicos que sonhavam com um sistema de saúde público navegam por um Brasil em transformação.
Justamente por isso, o livro é ao mesmo tempo uma homenagem às figuras invisíveis que ajudaram a construir o SUS e um romance de estreia de raro fôlego histórico.
2. Bethânia Pires Amaro

Pernambucana criada na Bahia e radicada em São Paulo, Bethânia Pires Amaro é advogada pública e escritora que passou a dar mais espaço à literatura durante a pandemia, frequentando oficinas e cursos antes de enviar seus contos ao Prêmio Sesc de Literatura.
A aposta deu certo: O Ninho, sua estreia, venceu o Sesc em 2023 e, em 2024, levou também o Jabuti e o APCA.
O livro reúne quinze contos com protagonistas femininas que enfrentam as disfuncionalidades do lar, desmontando a ideia da casa como espaço seguro e afetivo.
Com uma precisão narrativa que levou o escritor Sérgio Rodrigues a descrevê-la como “uma das melhores contistas da literatura brasileira“. Por isso mesmo, é um dos nomes mais aguardados de 2026.
3. Silvana Tavano

Escritora e jornalista formada pela ECA-USP, Silvana Tavano (1957) é autora de mais de 30 livros para o público infantil e juvenil, com obras publicadas no Japão, Itália, Alemanha e Suécia, entre outros países.
Ao estrear na literatura adulta em 2022 com O Último Sábado de Julho Amanhece Quieto, chamou a atenção imediatamente, e a continuidade desse caminho chegou com Ressuscitar Mamutes em 2024.
O romance venceu o Prêmio Oceanos 2025, derrotando nomes como Mia Couto e José Eduardo Agualusa na categoria Prosa, e ainda foi finalista do São Paulo de Literatura e semifinalista do Jabuti, sendo o único romance a figurar nas três maiores premiações literárias do país no mesmo ano.
Em Ressuscitar Mamutes, Tavano entrelaça memória, ciência e luto ao acompanhar uma mulher que reconstrói as lembranças da mãe desde a infância até os últimos dias em uma UTI, passando por cenários que vão da Ilha de Poveglia, na Itália, ao Deserto do Atacama, no Chile.
4. Rafael Zoehler

Gaúcho nascido em Porto Alegre e criado em Manaus, Rafael Zoehler é engenheiro, redator publicitário e escritor que começou com contos antes de estrear no romance.
As Fronteiras de Oline, publicado pela Patuá em 2024, venceu o Jabuti 2025 na categoria Romance de Entretenimento, desbancando nomes como Raphael Montes, e foi também finalista do São Paulo de Literatura e do Prêmio Candango.
A história acompanha o Senhor Oline, guarda de uma fronteira improvável entre a Sérvia e o Cazaquistão, que num dia de frustração arremessa uma pedra de um país para o outro e sai em busca dela, desencadeando uma jornada que o leva do salar de Uyuni, na Bolívia, aos fiordes noruegueses, passando por rituais de ayahuasca na Amazônia.
Zoehler mesmo descreveu o livro, em entrevista, como “um conto de fadas para adultos“, e a crítica tem comparado o estilo ao teatro do absurdo de Ionesco, o que diz muito sobre o quanto a obra desafia qualquer categorização fácil.
5. Marcílio França Castro

Mineiro de Belo Horizonte, Marcílio França Castro tem 58 anos e chega ao romance depois de décadas como contista premiado, com livros como A Casa dos Outros (premiado pela UBE) e Histórias Naturais (Companhia das Letras).
A estreia no gênero longo veio com O Último dos Copistas, publicado pela Companhia das Letras em 2024, que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2025 na categoria Melhor Romance de Estreia, com um prêmio de R$ 200 mil.
O romance é uma obra híbrida que mistura ensaio e ficção, acompanhando a amizade entre um revisor literário e uma ilustradora unidos pelo enigma da vida de Ângelo Vergécio, copista do século XVI cuja caligrafia deu origem à fonte Garamond.
Ao mesmo tempo, a narrativa traça um paralelo entre a transição da cópia manual para a impressão e o momento em que vivemos hoje, com o digital transformando tudo ao redor da palavra escrita.
Foram sete anos de pesquisa em bibliotecas e viagens até o envio do texto para a editora, e o resultado está na livraria.
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A literatura brasileira nunca precisou de tanto espaço na sua estante, e esses cinco autores são uma boa razão para começar a abrir as prateleiras.
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